quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sobre dossiês e facções

Por Luiz Carlos Azedo
Com Leonardo Santos
luizazedo.df@dabr.com.br

Com a história da preparação de um suposto dossiê contra Verônica Serra, filha do candidato tucano à Presidência, José Serra, a cúpula petista conseguiu arrumar uma encrenca para a candidata Dilma Rousseff (PT) no melhor momento de sua pré-campanha. Irritado, o tucano acusa a petista de jogo sujo na campanha eleitoral. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, nega a existência do dossiê e diz que a acusação é desespero de perdedor. Até agora, ninguém pôs as mãos na papelada.

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Como tudo começou? Com uma disputa entre dois caciques petistas, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel — que montou a equipe de imprensa de Dilma no lusco-fusco, entre a saída da petista da Casa Civil e a eleição da nova direção do PT — e o deputado Rui Falcão (SP), vice-presidente da legenda, que perdeu a disputa pela máquina de propaganda do partido para o secretário de Comunicação da sigla, André Vargas, mas ganhou participação no comando da campanha de Dilma como prêmio de consolação.

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Vargas foi responsável pela contratação da equipe de imprensa de Dilma, deslocando o grupo de Falcão, que luta para recuperar a posição. Nesse ambiente de disputa entre facções petistas pelo controle dos contratos da campanha, chegou às redações de jornais e revistas a versão de que a equipe de Dilma preparava um dossiê contra Serra. Estava armado o fogaréu que a cúpula petista tenta apagar.

Camarada X

Dentre mortos e feridos na guerra interna, salvaram-se todos os dirigentes petistas. Sobrou para o jornalista que montou a equipe de comunicação. Mas a história não fecha: o dossiê não apareceu. Seria um livro sobre os bastidores das privatizações, cujo autor, repórter de invejável currículo profissional, não trabalha para Dilma. O livro, com 14 capítulos, seria uma produção independente, como inúmeros outros relatos de investigações jornalísticas. Virou um best-seller sem ir para o prelo.

Vice//

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) registrou ontem o nome do ex-governador do Paraná Roberto Requião como candidato a presidente da República na convenção do PMDB. A tese da candidatura própria cria problemas para o presidente da legenda, Michel Temer (SP), cotado para a vice de Dilma.

Suspense

O senador Osmar Dias, do PDT, pretende definir na próxima semana se mantém ou não a candidatura ao governo do Paraná. Contava com a promessa de aliança com o PT feita pelo presidente Lula, em troca do palanque para Dilma Rousseff, mas o acordo não saiu. Dias quer Gleisi Hoffmann (PT), esposa do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, como vice, mas o PT está fechado com o governador Orlando Pessuti (PMDB), candidato à reeleição. Frustrado, Dias pode indicar alguém para concorrer como vice na chapa de Beto Richa (PSDB) e apoiar José Serra (PSDB).

Urgência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou ontem o pedido de urgência para o projeto de lei que cria a Petro-Sal. Entretanto, estão mantidas as urgências para as demais iniciativas que tratam da exploração do petróleo. Agora, tentará votar a aprovação do Fundo Social, na próxima terça-feira, com uma emenda que trata da mudança do regime de concessão para o de partilha. Caso aprovado, o projeto terá que voltar à Câmara. A proposta de capitalização da Petrobras entrará em regime de votação logo depois.

Abono

Mais de 16 milhões de trabalhadores já resgataram o abono salarial referente ao exercício 2009/2010, no valor de um salário mínimo. Foram pagos R$ 7,3 bilhões em benefícios, graças ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Todos os trabalhadores cadastrados no PIS/Pasep há mais de cinco anos têm direito ao abono. Porém, em todo o país, não apareceram na Caixa Econômica para receber o benefício 877 mil trabalhadores

Filme

O cineasta Sílvio Tendler praticamente concluiu o documentário sobre o presidente Tancredo Neves, tragicamente falecido às vésperas de tomar posse. O copião foi exibido em primeira mão ao ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB), neto do político mineiro.

Impasse

Empacaram as negociações em torno da PEC 300, que cria um piso salarial para bombeiros, policiais civis e militares. O governo quer um prazo de 180 dias para votar, jogando a decisão para depois das eleições. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), ouviu ontem de representantes dos policiais que a proposta é inaceitável. As três corporações querem a votação em 60 dias.

Protesto/ Os comerciantes do Pelourinho cobriram as fachadas dos antigos casarões do centro histórico de Salvador (BA) com panos pretos. Fecharam as lojas a partir das 15h e fizeram um protesto no Terreiro de Jesus por causa da falta de investimentos na conservação da região.

Pesquisa/ Nova pesquisa do Ibope será divulgada no sábado. Levantamento polêmico realizado pelo instituto no Rio de Janeiro, registrando grande vantagem para Dilma Rousseff em relação a José Serra, aumenta a expectativa em torno do resultado.

Arraiá/ Está confirmada a tradicional festa junina do ex-senador José Jorge, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), que virou motivo de confraternização entre políticos boa-praça da oposição e da situação. Será no dia 23.

Um comentário:

Eduardo disse...

BNDES + Gushiken + Ze Dirceu = 2 unicas empresas que aprovam projeto de viabilizacao economica para o BNDES. Um quanto outro ganham 10%. Investigue, Luiz Carlos Azedo, investigue. Siga o cheiro do dinheiro.