sábado, 30 de março de 2013

A inflação de Dilma

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 30/03/2013
 
As restrições da presidente Dilma Rousseff às teorias monetaristas de controle da inflação são notórias, como eram as do ex-presidente Itamar Franco na época do Plano Real. A diferença é que Itamar Franco não comandava o Ministério da Fazenda, nem o Banco Central, ao contrário da presidente Dilma Rousseff, que é quem manda na equipe econômica. Na verdade, Dilma quer fazer da redução dos juros uma das marcas de seu governo, acredita que essa é a chave para continuar crescendo com distribuição de renda. E para garantir a reeleição.

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Foi por essa razão que o mercado reagiu tão mal às declarações de Dilma Rousseff na reunião dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Durban, na África do Sul. "Esse receituário que quer matar o doente em vez de acabar com a doença é meio complicado. Vou acabar com o crescimento? Isso está datado. É uma política superada", disse Dilma. A frase foi interpretada como um recado de que os juros não vão subir, mesmo que a inflação ultrapasse perigosamente, no trimestre, o teto da meta de inflação, que é 6,5%.

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Pronunciada ao lado dos seus ministros da área econômica, as declarações de Dilma provocaram o Deus nos acuda no mercado. Não por que foram mal-interpretadas, mas porque correspondem aos fatos. A posição do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, passou a ser vista como ambígua. Mesmo que a presidente Dilma, rebatendo as críticas, diga que o combate à inflação é um valor em si.


Autonomia
As apostas oficiais de que a inflação provocada pelo preço dos alimentos estaria em queda estão na berlinda. O relatório de inflação do BC de quinta-feira passada reconhece os aumentos de preços ao consumidor, pressões sazonais e pressões localizadas. Preconiza cautela na definição da taxa básica de juros, a Selic, que foi mantida em 7,25% ao ano. A próxima reunião do Copom colocará à prova a autonomia de Tombini. Economistas de várias tendências têm criticado o BC por não mirar o centro da meta, de 4,5% . Um deles é Henrique Meirelles, o presidente do BC no governo Lula.

Rindo à toa
Pesquisa sobre “confiança no futuro” do Ipea revela que o brasileiro continua com o otimismo nas alturas. O entrevistado diz como acha que estará dentro de cinco anos. O brasileiro aparece com uma nota de 8,59 numa escala de zero a dez. A região mais confiante é a Centro-Oeste, com 8,94
 
Degola
Fundadora e militante histórica do PDT, a brizolista Tânia Fayal, foi demitida do gabinete do Ministério do Trabalho e Emprego. Soube pelo “Diário Oficial da União”. Era ligada ao Brizola Neto (PDT-RJ), que ocupava a pasta. Tânia era um dos 40 presos políticos trocados pelo embaixador alemão Ehrenfried von Holleben. Foi barbaramente torturada pelo coronel do Exército Freddie Perdigão. A demissão é uma demonstração de força do ex-ministro Carlos Lupi, presidente nacional do PDT.

A missão
Apesar de todo o tumulto, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados já mostrou a que veio o seu presidente, o pastor Marco Feliciano, do PSC-SP. Mesmo no maior tumulto, aprovou proposta de emenda à Constituição (PEC) que autoriza associações de entidades religiosas a questionar no Supremo Tribunal Federal a constitucionalidade de leis em vigor no país. É de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), o líder da bancada evangélica na Câmara. O texto ainda precisa de aprovação em comissão especial e no plenário.

Quem pode
O artigo 103 da Constituição lista quem pode propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal (STF): o presidente da República, a Câmara, o Senado, os governadores, as Assembleias Legislativas estaduais, o procurador-geral da República, a Ordem dos Advogados do Brasil, os partidos políticos, a confederação sindical ou entidade de classe.
 
Prejú//

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) teve um dos maiores prejuízos da sua história, de R$ 5,341 bilhões, apesar de no anterior ela ter registrado lucro de R$ 1,554 bilhão. Os rombos foram provocados por causa da Lei nº 12.783, de 2013, a mesma que estabeleceu novas regras para baratear o a conta de luz.

Paixão/ O senador Aécio Neves (PSDB-MG) participou ontem da Procissão do Enterro, em São João del Rei. Carregou a lanterna de prata durante a cerimônia, tradição iniciada por seu avô, o ex-presidente Tancredo Neves. Ex-governador de Minas, Aécio não descuida de suas bases eleitorais. Seu maior trunfo nas eleições de 2014 será uma vitória esmagadora em Minas.

Zabumba/
Em Pernambuco, 90% dos procedimentos ambientais são relacionados a poluição sonora. Só na região metropolitana, são 35 mil ocorrências por mês. Os números chamaram a atenção do Ministério Público do Meio Ambiente.


Luto/ O ex-governador de Goiás Mauro Borges Teixeira, que faleceu ontem, aos 93 anos, em Goiânia, foi um dos dois governadores que se opuseram ao golpe militar de 1964. O outro foi o então governador de Pernambuco, Miguel Arraes. Ambos foram cassados. O governador Marconi Perillo decretou luto oficial no estado por 7 dias.

Um comentário:

José Luiz da Costa Pereira disse...

Dilma está certa, vejam os países da Europa, como a Grécia e a Espanha, por exemplo como estão. O aumento dos juros, usados como justificativa de serem uma "arma" contra a inflação, são, na realidade, um meio de aumentar os ganhos do mercado financeiro, principalmente o bancário.
Com a diferença dos juros de mais de 11% ao ano, para os 7,5% atuais está garantindo o financiamento de todos esses pacotes de bondades que Dilma tem lançado ultimamente, por isso a oposição grita, sabem que com esse trunfo nas mãos não haverá nada que baixe os índices de aprovação da presidente.