terça-feira, 25 de maio de 2010

O poste e o besouro

Por Luiz Carlos Azedo
luizazedo.df@dabr.com.br

Do ponto de vista da correlação de forças, ao registrar o empate técnico entre o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) e a ex-ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff (PT), as últimas pesquisas de intenção de voto (Vox Populi, Sensus e Datafolha) refletem a vida como ela é. A economia está em expansão, a aliança PT-PMDB e agregados se consolidou, a boa avaliação do governo favorece o continuísmo e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva facilita a transferência de votos. Mesmo sem experiência eleitoral, a petista é sócia do capital político acumulado em sete anos de governo Lula e ponto final. Trocando em miúdos, o poste de saias criou asas e já voa nas alturas, para desespero da oposição.

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Se alguém tinha dúvidas sobre o lulismo, a prova de que ele existe é essa ascensão de Dilma. De cada 10 eleitores que a descobrem como candidata de Lula, seis votariam na ex-ministra. De acordo com a pesquisa Datafolha de sábado passado, metade dos seis pontos que Dilma recebeu são fruto direto do apoio de Lula.

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José Serra agora se parece com aquele besouro do Barão de Itararé, que, se dependesse dos cálculos aerodinâmicos dos técnicos, não poderia voar. O que ainda mantém José Serra como alternativa de poder? Em primeiro lugar, os serviços prestados como homem público; em segundo, a força da oposição onde é governo. Finalmente, o antipetismo cristalizado entre os eleitores, mais forte nas regiões meridionais do país, onde as forças políticas que apoiam o tucano têm mais inserção.

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No Nordeste, o antipetismo foi dissipado pelas alianças políticas de Lula com velhas oligarquias regionais, em alguns lugares contestadas pelo próprio PT, mas está provado que essas alianças têm grande serventia.

Minas

Dilma avançou muito em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral e reduto do ex-governador Aécio Neves (PSDB). De maio a junho, segundo o Vox Populi, a vantagem de Serra no estado caiu de 15% para 4%. Na simulação de segundo turno, os dois estão tecnicamente empatados. A vantagem de Serra, que era de 19%, caiu para 2%. Marina Silva (PV) também cresceu em Minas: de 7% para 10%.

Sem graça

Hoje a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promove mais um debate entre os três principais candidatos à Presidência da República: Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva. O evento começará com a apresentação aos três pré-candidatos da Agenda para crescer mais e melhor. Após a apresentação do documento, Dilma, Serra e Marina terão 25 minutos, cada um, para suas exposições, às quais se seguirão 25 minutos de debates com os empresários e cinco minutos para as considerações finais de cada candidato. Detalhe: Dilma, Serra e Marina não estarão juntos no debate.

Rebelde

O deputado distrital José Antônio Reguffe se posicionou radicalmente contrário à aliança de seu partido, o PDT, com o PT no cenário nacional. Reguffe também criticou a cúpula da legenda pela aproximação no plano local com o PMDB. Agora, o parlamentar corre o sério risco até de não ter a legenda para ser candidato nas próximas eleições.

Salomônico

Vice de Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Michel Temer, do PMDB-SP, fechou um acordo com os dissidentes da legenda para aprovar a coligação com a petista e sua indicação para vice. Ninguém mexe nos 13 diretórios regionais, inclusive o paulista, que já estão comprometidos com a candidatura de José Serra (PSDB). As 14 seções regionais fechadas com Dilma têm ampla maioria de delegados para votar a coligação, mas um confronto desgastaria Temer.

Previdência

Lula ainda vai matutar mais um pouquinho antes de vetar o aumento de 7,72% das aposentadorias acima de um salário mínimo e o fim do fator previdenciário. A equipe econômica, ontem, jogou pesado a favor do veto, mas os políticos ligados ao governo pressionam para que Lula sancione o aumento. O cálculo é eleitoral: Lula tem gordura para queimar com o veto, Dilma nem tanto.

Contas

O aumento de 7,72% dos aposentados representa um impacto adicional de R$ 1,7 bilhão. Já o fim do fator previdenciário pode causar um estrago anual de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões

Intercâmbio

A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e a Associação Brasileira de Cooperação (ABC) assinaram um protocolo de intenções com o objetivo de implementar programas, projetos e atividades de cooperação técnica em benefício de países em desenvolvimento. A prioridade é ajudar o Haiti, participando da reconstrução das cidades desse país.

Resíduos/ Com a pauta trancada por nove medidas provisórias, a Câmara vota hoje a MP nº 476/09, que concede crédito presumido às empresas que usarem artigos recicláveis como matérias-primas na fabricação dos seus produtos.

Gasolina/ O Instituto Milênio, em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas Jovens, promove, hoje, campanha pela redução da carga tributária. O Dia da Liberdade de Impostos ocorre em São Paulo, Porto Alegre, Vitória, Belo Horizonte e Brasília. Para marcar a data na capital federal, a entidade patrocina a venda de gasolina sem cobrança de impostos no posto Jarjour da 206 Norte. O litro sai por R$ 1,59.

Um comentário:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Azedamigo

Encontrei-te no PANORAMA do nosso Pedrão Luso de Carvalho. Que é excelentíssimo. Portanto, vim aqui ao teu e dou-te os meus parabéns (€€€€ não tenho…), pois gostei.

Tem um aspecto gráfico estupendo. Eu, que já leccionei em duas universidades, numa delas especificamente dei Jornalismo Gráfico, aprecio este tema, como deves compreender.

É a altura da pedinchice (repito, não se trata de €€€€€) tipicamente tuga: quando fores à Minha Travessa, serás bem-vindo e não pagas nada – é grátis. Se te inscreveres com (per)seguidor, então vai ser uma festa. Mulţumesc frumos! Que é gracias em romeno…

Lá podes ver que também sou jornalista e dizem que escritor... E já passei por... 122 países. Não digo conheci; só digo passei...

Abs
Qjs = queijinhos = beijinhos