quarta-feira, 31 de março de 2010

Aliados mui amigos

Por Luiz Carlos Azedo
Com Norma Moura
luizazedo.df@dabr.com.br


O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT), artífice do acordo que levou o deputado Michel Temer (PMDB-SP) à Presidência da Câmara, defende a tese de que o PT não tem do que se queixar do PMDB em relação ao apoio da legenda aliada à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), a presidenta da República. Muito pelo contrário, quem anda criando problemas para a aliança são os quadros do PT que não subordinam seus projetos pessoais à política de alianças do governo Lula e ao projeto nacional do partido, “cuja prioridade é a vitória de Dilma”.

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Vaccarezza fez essa avaliação no começo da tarde de ontem, no gabinete de líder do governo. Minutos depois, o deputado Domingos Dutra (PT-MA) subiu à tribuna da Câmara para um discurso inflamado contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que teria procurado o presidente Lula para reclamar do apoio do PT do Maranhão à candidatura do deputado Flávio Dino (PCdoB), pré-candidato ao governo do estado. Afinal, a governadora Roseana Sarney (PMDB), que disputará a reeleição, apoia Dilma.

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No discurso, Domingos disse que entraria em greve de fome no plenário da Câmara se a executiva nacional do PT, a pedido do presidente Lula, fizer uma intervenção no diretório regional, como seria previsível pelas resoluções adotadas até agora no plano nacional. O parlamentar é um dos fundadores do PT no Maranhão e adversário figadal do clã Sarney.


Comando//

A cúpula da campanha de Dilma Rousseff fez ontem uma avaliação do resultado das últimas pesquisas. Chegou à sensata conclusão de que precisa acabar com as especulações de que o PT pretende rifar Michel Temer do posto de vice e que também tem que evitar manifestações de salto alto.

Exemplo

Para corroborar a tese de Vaccarezza, o prefeito de Nova Iguaçu (RJ), Lindberg Farias, que venceu a disputa com a ex-governadora Benedita da Silva pela vaga petista ao Senado, anunciou que fará campanha para o senador Marcelo Crivella (PRB), que concorre à reeleição. O candidato do PMDB fluminense ao Senado é o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, aliado incondicional do governador Sérgio Cabral. Nesse caso, Lindberg agiu de mando: Lula diz que fará campanha para Crivella.

No sal

O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, disse ontem, em São Paulo, durante um almoço com executivos, que a aprovação do novo marco regulatório para o setor petrolífero pelo Congresso é a única chance de a empresa se capitalizar para realizar os investimentos necessários no pré-sal. “Estamos no limite do nosso endividamento em relação ao capital”, afirmou a 252 empresários. No ano passado, a empresa gerou R$ 74 bilhões em novas dívidas e este ano precisaria de outros R$ 82 bilhões em financiamentos.

Investimentos

A Petrobras reduziu a previsão de investimentos entre 2011 e 2014 de R$ 265 bilhões para R$ 250 bilhões. Destes, serão destinados à exploração e à produção de petróleo R$ 153,6 bilhões

O guizo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, que não pedirá ao deputado Ciro Gomes (PSB-CE) que retire sua candidatura à Presidência da República. Lula já está careca de saber que esse é o seu desejo. Campos disse aos líderes do PSB que fará a mesma coisa. Caberá aos demais líderes da sigla, principalmente os que eram os mais entusiastas da candidatura, fazer o apelo.

Implodiu

A aliança PMDB-PSDB-DEM-PPS em Santa Catarina foi para o espaço. O ex-governador Luiz Henrique (PMDB), que deixou a chefia do Executivo para ser candidato ao Senado, deriva em direção à candidata petista Dilma Rousseff, com o prefeito de Florianópolis, Dário Berger, provável candidato do PMDB. Leonel Pavan (PSDB), ex-vice, já assumiu o governo e é candidato à reeleição. O senador Raimundo Colombo, candidato do DEM, busca uma aliança com o casal Esperidião e Angela Amin, ambos do PP.

Pijama

O Diário Oficial publicou ontem a transferência para a reserva remunerada do general de Exército Maynard Marques de Santa Cruz, que fez carreira como oficial de inteligência e durante muitos anos exerceu comandos na Amazônia. Santa Cruz trombou com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e era considerado o último remanescente da “linha dura” do regime militar. Também foi para a reserva o general de Exército Rui Alves Catão. Ambos deixaram a tropa no tempo regulamentar.

Porrete/ O Batalhão de Choque da Polícia Militar despejou 75 famílias do MST de uma fazenda no município de Touros, a 70km de Natal (RN). Os barracos foram incendiados pela PM e seis pessoas ficaram feridas.

Pesquisa/ O Vox Populi deve divulgar nova pesquisa eleitoral na sexta-feira, encomendada pela TV Bandeirantes. Os pesquisadores já estão nas ruas.

Soberba/ O PT não compareceu à reunião de ontem do bloco de sete partidos de oposição para discutir a montagem da chapa do petista Agnelo Queiroz. Irritados, PMDB, PSB e PDT ameaçam lançar a candidatura do senador Cristovam Buarque ao Governo do Distrito Federal. Tadeu Filippelli (PMDB-DF) critica o isolamento do PT, que paga para ver os aliados vetarem a candidatura do deputado Geraldo Magela (PT) ao Senado.

2 comentários:

Leonardo disse...

Tenho certeza que os partidos de oposição vão optar pela sensatez e formar um grande bloco de apoio à candidatura de Agnelo Queiroz.

Luiz Carlos Azedo disse...

Caro,

É o mais sensato, mas a esquerda é muito desunida. Ainda é possível uma chapa unificada.