quinta-feira, 18 de abril de 2013

Xadrez chinês

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 18/04/2013
 

Estrategistas da campanha de Dilma Rousseff — leia-se ela própria, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o marqueteiro João Santana — jogam uma espécie de Go com a oposição. O xadrez chinês, para profissionais, é um jogo de 19 linhas intercalado por outras 19, com 181 pedras pretas e 180 pedras brancas, que vão sendo colocadas no tabuleiro uma a uma, em linha, com objetivo de ocupar territórios e cercar os adversários.
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É mais ou menos o que está sendo feito com Marina Silva, que obteve 19,6 milhões de votos em 2010, ou seja, 19,33% do total. Sua presença na cena eleitoral com algum de tempo de televisão e recursos do Fundo Partidário, numa disputa que incluiria ainda o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), pode levar a eleição para o segundo turno. O objetivo dos governistas é deixar Marina sem tempo de tevê, de preferência, levá-la a desistir.
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A mesma estratégia foi usada contra Eduardo Campos em relação aos partidos da base governista, cujos laços com o Planalto foram reforçados, principalmente os do PP, do PR e do PDT. Agora, o governador de Pernambuco aposta numa aproximação ao novo MD, que tenta atrair os parlamentares descontentes. Sem poder ampliar o tempo de televisão, a legenda recém-criada perde poder de atração.
Primeiro turno
Macaco velho de eleições presidenciais — perdeu duas no primeiro turno e uma no segundo, mas venceu outras duas, além de fazer a sucessora —, Lula trabalha para que a presidente Dilma Rousseff vença as eleições de lavada, ou seja, no round inicial. É aí que entra o rolo compressor no Congresso para impedir a formação de novos partidos com tempo de televisão e recursos do Fundo Partidário. Nos cálculos de Lula, Marina tira votos de Dilma, enquanto Aécio Neves e Eduardo Campos dividiriam os votos do ex-governador José Serra (PSDB).
Novo número
O PPS e o PMN oficializaram ontem a fusão dos dois partidos, que agora passam a se chamar Mobilização Democrática (MD), cujo número será o 33. A sigla soma 13 deputados federais, 58 estaduais, 147 prefeitos e 2.527 vereadores. Em todo o país, são 683.420 filiados
Quem se habilita?
O presidente da Mobilização Democrática, eleito por unanimidade, é o deputado federal Roberto Freire (SP), que comandava o PPS. A vice-presidência ficará a cargo de Telma Ribeiro, ex-presidente em exercício do PMN. Estão abertas 24 vagas de titulares e 22 de suplentes para que sejam preenchidas por parlamentares que aderirem à nova legenda.
Sub judice
A polêmica sobre o tempo de televisão do partido de Marina Silva, o Rede Sustentabilidade, e o novo MD — caso o Senado confirme ainda hoje a mudança na legislação partidária para impedir que os deputados que aderirem à nova legenda levem tempo de partido e recursos partidários — não se encerrará no Congresso. O caso acabará mesmo é no Supremo Tribunal Federal (STF).
Aposentadorias
Brasileiros que vivem na França e os trabalhadores franceses que atuam no Brasil poderão em breve totalizar o tempo de contribuição nos dois países para requerer benefícios como aposentadoria por idade, por invalidez e pensão por morte. O acordo foi firmado pelo ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, e a ministra de Saúde e Assuntos Sociais da França, Marisol Touraine. São 80 mil trabalhadores.
É de barro/ O Palácio do Planalto resolveu recuar em relação ao relatório do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), sobre a Lei dos Portos. Chegou à conclusão de que seria derrotado em plenário caso apresentasse outra proposta, como chegou a anunciar a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman.
Vale/ A ministra da Cultura, Marta Suplicy, defendeu que o Congresso aprove o projeto de lei de incentivo à Cultura (Procultura), a implementação do Vale Cultura até o início do segundo semestre e a criação do Museu da Cultura Afro-Brasileira. Foi durante a audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, a convite do presidente do colegiado, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), e da vice-presidente, senadora Ana Amélia (PP-RS).
Azebudsman/ Na nota intitulada "Façam o jogo", na coluna de ontem, num ato falho, antecipamos a decisão do BC e aumentamos a taxa Selic de 7,25% para 7,50%.

Um comentário:

José Luiz da Costa Pereira disse...

diTenho minhas dúvidas com relação à tese de Lula e Dilma de que Eduardo campos tire votos de Aécio Neves, acho que no nordeste ele faz mais estragos no curral Lula-Dilma do que no do mineiro.