terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A crise do panetone

Por Luiz Carlos Azedo
Com Guilherme Queiroz

luizazedo.df@dabr.com.br

O espanto é geral, mas os fatos são teimosos. O governador José Roberto Arruda (DEM) administrativamente vinha fazendo uma gestão melhor do que a do seu antecessor, Joaquim Roriz (PSC), graças ao ajuste administrativo-financeiro que possibilitou a retomada dos investimentos e a realização de milhares de obras por todo o Plano Piloto e cidades do DF. A casa ruiu com as denúncias de farta distribuição de propina a integrantes do Executivo e do Legislativo, que estão levando de roldão a imagem de bom gestor que Arruda estava edificando e que o levaria à reeleição.

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Qualquer que seja o desfecho do inquérito judicial presidido pelo ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, mesmo que sobreviva no cargo até o fim do mandato, o projeto de reeleição de Arruda foi volatilizado. A única maneira de resgatá-lo seria por meio de uma sentença da Justiça inocentando-o. A linha de defesa do governador, segundo a qual houve “trucagem” nas gravações, tem o objetivo de priorizar a batalha jurídica. A batalha eleitoral está praticamente perdida.

Vai e vem

O deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), que havia reassumido o mandato para articular a aprovação de alguns projetos para a área da Saúde, havia retornado ao cargo de secretário de Saúde na sexta-feira. Ontem, decidiu deixar o governo. O deputado distrital Alírio Neto (foto), secretário de Justiça, que participou da decisão da Executiva do PPS, não descarta a hipótese de se licenciar do partido e permanecer no cargo para ajudar o governador Arruda a manter a governabilidade.

Minissérie

O governador, diante das denúncias, pediu um crédito de confiança à cúpula do Democratas e se defende como pode das acusações feitas pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que gravou cerca de 30 vídeos durante encontros com diversos integrantes do governo, um deles com o próprio governador. Ontem, na primeira entrevista sobre o caso, Arruda disse que é tudo armação. Porém, a sequência de vídeos virou uma minissérie em todos os telejornais, com um capítulo inédito por dia.

Virou piada

A versão de Arruda para o vídeo no qual aparece com dinheiro vivo nas mãos está sendo ridicularizada pela opinião pública. No Palácio do Buriti, oficialmente, o dinheiro que aparece no vídeo tem origem em doações para a compra de panetones, que foram distribuídos na campanha eleitoral passada. Na rua, virou piada o sujeito perguntar para o outro se ele também recebeu um panetone.

Desembarque

A estratégia de defesa do governo Arruda na Câmara Legislativa, comandada pelo deputado Leonardo Prudente (DEM), que aparece num dos vídeos colocando dinheiro nas meias — ele alega que fez isso com medo de assalto —, é robusta o suficiente para barrar um pedido de impeachment. Mas há um realinhamento de forças na base que leva em conta as eleições de 2010. O PDT, o PSB e o PPS, que participavam do governo, já estão de fora. Hoje, o PV deve tomar a mesma decisão. A maioria governista está em risco eleitoral, principalmente por causa de antigos aliados do ex-governador Joaquim Roriz.

Mergulhou

O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), depois da reunião com o governador José Roberto Arruda, ontem, mergulhou. A cúpula da legenda deu um crédito de confiança ao governador. Porém, a Executiva deve se reunir ainda hoje para definir a posição oficial da legenda. O deputado José Carlos Aleluia (BA) lidera a ala que deseja o afastamento de Arruda.


Empréstimos


A Câmara deve votar hoje a Medida Provisória nº 470/09, que concede crédito para a Caixa Econômica Federal atender ao crescimento da demanda por empréstimos e financiamentos. São mais de R$ 6 bilhões

Hospedaria

O presidente de Honduras, Manoel Zelaya, hospedado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, virou aquele primo distante que chega para passar um fim de semana e vai ficando, até que vira um estorvo para a família do dono da casa. É o que vai acontecer depois das eleições de domingo, que registraram abstenção menor do que a que o elegeu em 2005. É incontestável a vitória do candidato da oposição, Pepe Lobo (foto), do Partido Nacional, por 56% contra 38% de Elvin Santos, do Partido Liberal. Lobo havia perdido para Zelaya em 2005 por 1% dos votos.

Petro-sal/ Começou a correr o prazo para apresentação de emendas na Comissão de Constituição e Justiça do Senado ao projeto de lei que cria a Petro-Sal. O último dia é sexta-feira. Demóstenes Torres (DEM-PI), presidente da CCJ, indicará o relator do projeto.

Dissidência/ Oposicionistas do PMDB lançam a pré-candidatura do governador do Paraná, Roberto Requião, hoje, no Senado, com apoio de 15 presidentes de diretórios estaduais do PMDB. O governo tenta esvaziar a reunião.

Funeral/ O governo enterrou ontem a CPI das Tarifas de Energia. Sem apoio do Palácio do Planalto, o presidente da comissão, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), tentou prorrogar os trabalhos, mas seu pedido foi rejeitado. Depois do apagão, foi visto como corda em casa de enforcado.

Azebundsman/ Leitores me escreveram no fim de semana, frustrados, porque a coluna Brasília/DF de domingo passou ao largo do escândalo que se abateu sobre o governo do Distrito Federal.

Um comentário:

Raulzito disse...

O Governador José Arruda(DEM) é no mínimo insano. Ele insistiu em comentar as idiotices, apresentadas pela gravação. Não deixa dúvida da reicidência do seu envolvimento em mais escândalos. Assitir fatos como esse, mostra o caráter dos trapaceiros,-até oração- fizeram.Como a desonestidade e as falcatruas estão inseridas na vida da política brasileira, não devemos nos surpreender com os fatos.Na lista de 180 países -com percepção de corrupção-, o Brasil ocupa o 75º lugar. O que realmente acontecerá em Brasília?