quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Quem tem medo de chave de galão?

Nas Entrelinhas: Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 26/02/2014

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), já não esconde de seus pares o seu apoio à tese do “Volta, Lula” e tenta convencer o vice-presidente Michel Temer de que essa seria a melhor solução para todos. 

Impossível não voltar ao tema das relações do Palácio do Planalto com o Congresso nesta quarta-feira, às vésperas do carnaval, quando normalmente tanto a Câmara quanto o Senado já estariam esquentando os tamborins. Ontem, o esporte favorito nos salões, corredores e cafezinhos nas duas Casas era falar mal da presidente Dilma Rousseff e do novo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que tentara enquadrar os deputados da base aliada na segunda-feira à noite com uma chave de galão. Deu errado. O que seria um freio de arrumação levou lenha para o fogo que aquece o “Volta, Lula!” e para retaliações da própria base.

Mercadante brandiu as pesquisas de opinião que apontam o favoritismo de Dilma Rousseff nas eleições de 2014 para dizer que o governo não vai aumentar o número de ministérios destinados aos aliados e que eles precisam se entender entre si, para acomodar a situação. “Nem o Lula tinha em fevereiro nas duas eleições que venceu e nem a própria Dilma tinha em 2010?”, jactou-se. Também rebateu os argumentos de que os aliados estariam com dificuldades para se eleger: “Quem tem problemas para se reeleger são os deputados do DEM e do PPS. Vocês podem tirar fotos com a Dilma e irem para a campanha”. A reação às declarações foi a pior possível: consolidou-se o blocão de sete partidos comandado pelo líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), que proclamou independência : “Não somos nem contra nem a favor do governo, vamos defender as prerrogativas da Câmara”.

Para provar que não estava blefando, Cunha anunciou ontem o apoio do blocão à criação de uma comissão externa proposta pela oposição para investigar o escândalo que envolve o pagamento de propina a funcionários da Petrobras por uma empresa holandesa. O jornal De Telegraaf, na semana passada, acusou a multinacional de origem holandesa SBM Offshore de ter pago propina a servidores de estatais petrolíferas internacionais na ordem de US$ 250 milhões, dos quais cerca de US$ 140 milhões para funcionários da Petrobras. O PT só conseguiu o apoio do PCdoB, do PRB e do PV para se opor à criação da comissão externa e entrou em obstrução.

Cunha é considerado o pior adversário do Palácio do Planalto na Câmara pela presidente Dilma Rousseff. Sua capacidade de criar problemas é maior do que a da oposição na Casa. Mas é um equívoco avaliar que está sozinho na empreitada. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), já não esconde de seus pares o seu apoio à tese do “Volta, Lula” e tenta convencer o vice-presidente Michel Temer de que essa seria a melhor solução para todos. Segundo disse a um parlamentar da bancada de seu partido, caberia ao PMDB “pôr o guizo no pescoço do gato”, uma vez que os petistas que conspiram contra a presidente Dilma têm dificuldades para isso.

Na cúpula do PMDB, os problemas com Dilma Rousseff se estendem ao Senado, por causa da forma como a presidente da República lida com as reivindicações da bancada. O ex-líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR), governista por vocação, já não esconde as frustrações. Mas não é o único governista empedernido decepcionado. Recentemente, em conversa com o vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Dilma foi informada de que o senador Eunício de Oliveira (PMDB-RN) não pretende abrir mão da candidatura a governador do Ceará em troca do Ministério da Integração Nacional. Dilma explodiu: “Quem esse #&%@ pensa que é!” Renan respondeu secamente: “Ele é o líder do PMDB no Senado”. É claro que o senador cearense ficou sabendo do ocorrido. 

Racismo

A Justiça do Rio decidiu pela liberdade provisória do ator Vinicius Romão, depois de permanecer 15 dias preso, por engano, acusado de ter assaltado uma mulher. A decisão foi tomada pela 33ª Vara Criminal após o delegado Niandro Lima, titular da 25ª DP (Engenho Novo), ouvir da vítima do roubo, a copeira Dalva Moreira da Costa, que havia se enganado no reconhecimento do ator como suposto ladrão. “Foi uma ação violenta e ela pode ter se confundido”, explicou Niandro. Dalva disse que pensou em ir à polícia no dia seguinte para retirar a queixa, mas não tinha dinheiro para passagem. O absurdo da situação é que o ator só foi solto depois da reação dos parentes do jovem e ativistas dos movimentos negro e de defesa dos direitos humanos. A polícia não tomou a iniciativa de reinquirir a vítima e investigar melhor o fato, embora o ator alegasse inocência e não houvesse nenhuma prova de que cometera o crime.

Um comentário:

Ademir Pavao disse...

Lula voltara a ser candidato e certamente sera derrotado, anulando de vez, esta ganancia pela permanencia sem escrupulos pelo poder. Aguardamos vc Lula, pois vc anda muito escondido e precisamos acha-lo.