sexta-feira, 30 de março de 2012

O que está por vir

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 30/03/2012
O destino do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) está por um fio. Ou melhor, depende do teor das gravações de suas conversas com o contraventor Carlos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. No Senado, onde corre o risco de sofrer um processo de cassação por quebra de decoro; tanto os adversários como aliados esperam apenas que os documentos cheguem ao conhecimento da Casa para tomar providências nessa direção.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que foi duramente atacado por Demóstenes no caso dos atos secretos, já deu sinais de que não moverá uma palha por ele. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), procurado pelo senador goiano em busca de solidariedade, disse-lhe poucas e boas. Renan, que renunciou ao comando do Senado para não ser cassado, também não esqueceu os discursos de Demóstenes.

A cúpula do DEM já afia a guilhotina para cortar a cabeça de Demóstenes, assim como fez com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. O desconforto é enorme e não será surpresa se os caciques da legenda resolverem expulsá-lo do partido. Demóstenes está só.

Dez anos

"É uma teia de aranha", resumiu o deputado Miro Teixeira, do PDT-RJ, ao comentar o caso Demóstenes, no Congresso. Segundo Miro, há mais gente graúda envolvida no escândalo, que levou três anos para virar um pedido de inquérito no Ministério Público Federal por causa do volume de gravações. "São gravações que vêm desde o caso Waldomiro Diniz", explica. Miro acredita que, quando o inquérito chegar ao Congresso, o caso provocará a instalação de uma CPI.

Vai preso

Amigos de Demóstenes Torres avaliam que o senador não deve renunciar ao mandato para evitar uma eventual cassação. Acreditam que o senador goiano será preso se perder a imunidade parlamentar.

Por último

O deputado distrital Agaciel Maia (PTC), ex-diretor-geral do Senado, anda rindo à toa: considera Demóstenes Torres o último de seus algozes que ainda exerce um mandato na Casa.

Cerveja//

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), quer aprovar a Lei Geral da Copa do jeito que passou na Câmara. Está entre os ex-governadores da Casa que assinaram o compromisso com a Fifa de liberar a venda de bebidas nos estádios durante jogos da Copa. "Agora é com os estados."

Campanha

O senador Jorge Viana, do PT-AC, a pedidos, resolveu bater duro nos bancos por causa dos juros bancários. "Em fevereiro, a taxa para a pessoa física subiu de 0.3 para 45.4 ao ano. O aumento dos juros bancários acontece novamente na contramão da queda do custo que as instituições financeiras têm para captar seus recursos, que passou — no caso das operações com pessoa física — de 10,2% em janeiro para 9,6% em fevereiro."

Memória/ O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez uma homenagem ontem ao ex-senador e ex-vice-presidente da República José Alencar. "Há um ano, ele embarcou no trem da história, com a qual tanto contribuiu", disse. Outra manifestação, apenas de Gilberto Carvalho, na Secretaria-Geral da Presidência.

Servidores/ O Instituto de Benefícios dos Servidores do Poder Legislativo e do TCU, IBLegis, foi lançado ontem, na Câmara dos Deputados, em café da manhã que contou com grande adesão dos servidores. Seu objetivo é garantir vantagens em negociações comerciais.

Deficientes/ Uma das mudanças aprovadas na Lei Geral da Copa reserva 1% dos ingressos para venda às pessoas com deficiência. O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) comemorou a aprovação da medida, embora a proposta original, de sua autoria, fosse de 3%.

Cheque especial

Segundo o Banco Central, o spread bancário das linhas de crédito dos bancos com os recursos livres passou de 27,8% para 28,4% em fevereiro deste ano. E os juros médios cobrados pelos bancos em suas operações no cheque especial alcançam 182,8%

quinta-feira, 29 de março de 2012

Troca de passes

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 29/03/2012

Coube ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo — ex-presidente da Câmara, ex-líder do governo e ex-ministro de Relações Institucionais — desatar o nó das negociações para aprovação da Lei Geral da Copa e, de quebra, do novo Código Florestal. Na sexta-feira passada, ele convenceu a presidente Dilma Rousseff de que era impossível a retomada das votações da Câmara sem reabrir as negociações com os ruralistas, que condicionavam uma votação à outra.

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Autorizado por Dilma, Aldo retomou as conversas que possibilitaram o acordo firmado pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), com os líderes governistas e da oposição para a votação da Lei Geral da Copa. O que era uma discreta manobra de bastidor do Palácio do Planalto virou, porém, um piquenique na sombra da presidente Dilma Rousseff, que estava viajando: Maia, na terça-feira, convocou a imprensa para anunciar o acordo na Câmara como presidente da República em exercício.

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A oposição aproveitou a pirotecnia. "A crise viajou", disparou o líder do PSDB, Bruno Araújo (PE), depois de posar para fotografias em conversas com Maia. Repetiu a frase que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda senador, gostava de usar para espicaçar o então presidente da República, José Sarney (PMDB-AP), hoje presidente do Senado. Quem não gostou da farroupilha de Maia foi a presidente Dilma Rousseff, que cancelou ontem a viagem que faria no fim de semana para o Marrocos.

Na cadeira

Desde ontem, o vice-presidente Michel Temer está no comando da República, com a discrição de sempre. Chegou e ficou em São Paulo, na muda, observando os acontecimentos. Mas pediu aos correligionários para não fazerem marola no Congresso e votarem a favor da Lei Geral da Copa. Hoje, volta a Brasília.


A cura// 

O ex-presidentre Luiz Inácio Lula da Silva comemorou ontem a notícia dada por seus médicos de que o câncer que tinha na laringe sumiu. "Acabou, estou curado", disse Lula ao presidente da Câmara dos Deputado, Marco Maia. Lula também falou por telefone com a presidente Dilma Rousseff, que está na Índia.


Sem refresco

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), que sempre fez dobradinha com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) nas denúncias contra o governo, não vai refrescar o colega acusado de envolvimento com o contraventor Carlos Cachoeira. Ontem, em plenário, cobrou da Procuradoria-Geral da República cópia do inquérito decorrente da operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Gostou

Ex-governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos não poupou elogios ao discurso do senador tucano Aécio Neves (MG), que subiu o tom das críticas ao governo ontem, no Senado: "Tudo parece fora de lugar após 15 meses de governo. Para onde quer que se olhe, o cenário é desolador", disse Aécio, para quem o Brasil deixou de liderar o processo de crescimento da América Latina. E demorou a reagir "ao gravíssimo processo de desindustrialização" em curso no país.
 
Custos

O ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, em seu discurso no Senado, também criticou o aumento de custos de obras do governo federal. A transposição do Rio São Francisco passou de R$ 4,6 bilhões para R$ 8,2 bilhões, e a ferrovia Transnordestina, que deveria ter sido finalizada em 2010, tinha custo projetado para R$ 4,5 bilhões, mas já chegou aos R$ 7 bilhões.

No papel

O trem-bala Rio-São Paulo, que deveria ser inaugurado em 2014 ao custo de R$ 20 bilhões, foi postergado para 2016, com preço estimado em R$ 53 bilhões

Torneira/ O ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, negocia com os líderes da base aliada a liberação das emendas parlamentares relativas à execução orçamentária de março e abril. O montante pode chegar a R$ 2,5 milhões. Uma segunda leva está prevista para junho.

Nobel/ Ariano Suassuna será um dos concorrentes ao Prêmio Nobel de Literatura 2012, da Academia Sueca. A indicação do escritor paraibano, membro da Academia Brasileira de Letras, foi requerida pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) ao Congresso Nacional e ao Ministério das Relações Exteriores.

Vistos/ O embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon, anunciou um programa para desburocratizar a entrada de brasileiros nos Estados Unidos, o Global Entry. Cidadãos que ofereçam "baixo risco" poderão entrar em alguns aeroportos sem precisar passar pelo controle de passaporte.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Pelas beiradas

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 28/03/2012
 

Quem anda feliz da vida com as agruras da base do governo no Congresso é o ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB-MG), que virou uma espécie de muro das lamentações dos descontentes da base aliada do governo. "Política é olho no olho, o trato pessoal é muito importante entre os políticos", explica. Segundo o senador mineiro, as conversas com os colegas do Senado e da Câmara revelam que o distanciamento adotado pela presidente Dilma Rousseff em relação ao parlamento terá um alto preço em 2014.

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Aécio promete endurecer seu discurso oposicionista no Senado, onde vem tendo uma atuação considerada moderada e conciliadora por setores de oposição que ficaram órfãos do ex-governador José Serra (PSDB) depois que o tucano paulista resolveu concorrer à Prefeitura de São Paulo. Essa opção — consumada com a vitória nas prévias do PSDB de domingo passado — praticamente o afasta das eleições de 2014.

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A visita de parlamentares de oposição aos canteiros de obras da Ferrovia Transnordestina e do projeto de transposição do Rio São Francisco, na sexta-feira passada, deixou Aécio animado. "O governo não está conseguindo executar os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que têm graves dificuldades de gestão", avalia. Como se sabe, a principal marca de seu período de governo em Minas foi o "choque de gestão", uma reforma gerencial que culminou com a criação da Cidade Administrativa do estado na localidade de Serra Verde, na periferia de Belo Horizonte.

Assédio

Dono de 31,2% dos votos dos militantes do PSDB que participaram das prévias, o secretario de Energia de São Paulo, José Aníbal, ainda processa a vitória apertada do ex-governador José Serra, que obteve 52,1% dos votos, apenas. O deputado federal Ricardo Tripoli obteve outros 16,7% dos votos. Aníbal e Serra trocam bicadas desde os tempos do governo Fernando Henrique Cardoso. Está sendo assediado pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB), que ligou de Seul para parabenizá-lo pelo resultado.

Quero mais

Depois de elogiar a prorrogação da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca e sua ampliação aos segmentos de móveis e luminárias, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, defendeu a extensão da medida a toda a cadeia produtiva dos segmentos beneficiados. "A medida dá um fôlego aos setores, reduz custos e torna os produtos da linha branca mais competitivos diante dos similares importados, mas o aço e os plásticos não estão sendo beneficiados", disse.

Ayres Britto e o Correio

O ministro Carlos Ayres Britto, que assumirá a Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) em 19 de abril, visitou ontem a sede do Correio. Em conversa com o diretor presidente do jornal, Álvaro Teixeira da Costa, reiterou sua intransigente defesa da liberdade de imprensa: "Dei ciência ao eminente jornalista da minha firme disposição de manter com a imprensa um permanente e desembaraçado canal de interlocução", disse Britto. Sergipano de 69 anos, o ministro é reconhecido pela postura liberal, tendo decidido questões de repercussão nacional no STF, como a liberação das pesquisas no Brasil com células-tronco embrionárias e o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo. O futuro presidente do STF afirmou que dará prioridade, durante sua gestão, às ações relativas ao erário. O Correio é o primeiro veículo de comunicação a receber a visita do ministro depois de sua eleição para presidente da mais alta Corte do país.

Pede pra sair//

Presidente do DEM, o senador José Agripino Maia (RN) assumiu a  liderança do DEM no lugar do senador Demóstenes Torres (GO), enrolado na Operação Monte Carlo, que investiga as atividades ilegais do contraventor Carlos Cachoeira. O parlamentar goiano pediu demissão. Nos corredores do Congresso, as apostas são de que Torres acabará renunciando ao mandato para não ser cassado pelos colegas.

Dívidas/ Presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano, o deputado Domingos Neto (PSB-CE), resolveu pedir à Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mais esclarecimentos sobre o levantamento que a entidade fez sobre a saúde financeira das cidades. Um quinto das cidades brasileiras começam o ano devendo. O Nordeste tem os piores indicadores.

Comando/ O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, nomeou o general brasileiro Fernando Rodrigues Goulart como novo comandante da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti. Substituirá o general Luiz Ramos, que completou sua missão ontem.

De honra/ A Executiva Nacional do PPS ontem, em Brasília, aprovou a indicação de Antonio Ribeiro Granja para presidente de honra do partido. Granja, com 98 anos, vai substituir o ex-deputado Fernando Sant"Anna, que morreu no último dia 2, em Salvador (BA).

Linha branca

O governo prorrogou por três meses a desoneração do IPI para fogões, geladeiras e máquinas de lavar, zerou o imposto para móveis (que era de 5%) e laminados (antes de 15%) e diminuiu de 15% para 5% o IPI das luminárias. A medida representará uma renúncia fiscal de R$ 489 milhões

Viajou na crise

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 27/03/2012

Presidente da Câmara, o petista gaúcho Marco Maia assumiu a Presidência da República em meio à maior crise política do governo Dilma Rousseff. A base do governo no Congresso está rebelada e não vota nada a favor do governo, muito pelo contrário. Para complicar, é grande o descontentamento entre os militares por causa da Comissão da Verdade, criada para investigar os crimes cometidos contra os oposicionistas durante o regime militar, e também devido aos baixos soldos.

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Esse cenário, há 50 anos, seria mais do que suficiente para uma quartelada, ainda mais com um partido de bases sindicais no poder e uma notória esquerdista na Presidência da República. Entretanto, a presidente Dilma Rousseff viajou — entre 28 e 31 de março estará na Índia, na reunião do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) — e não há o menor indício de anormalidade política. O país vive a mais robusta ordem democrática de sua história.

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Não foi à toa que a presidente Dilma minimizou os efeitos institucionais da queda de braço que mantém com a própria base no Congresso na entrevista que deu à revista Veja. Na verdade, a crônica política banalizou os riscos e o próprio diagnóstico de crise político-institucional. Isso só ocorre de verdade em duas situações: quando o velho está morrendo e o novo ainda não nasceu; ou quando as elites (os de cima) não se entendem e o povo (os de baixo) já não obedece. Não vivemos nenhuma das duas situações.

Escala

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a viagem à Índia para uma escala, ontem, em Granada, no sul da Espanha, onde visitou a Alhambra, que significa A Vermelha, em árabe. Foi a sede do Califado de Andaluzia e também abriga o Palácio de Carlos V, construído em 1.527 pelo monarca do Sacro Império Germânico Romano. Dilma almoçou num albergue e misturou-se aos demais turistas.

Cadafalso

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) entrou na linha de tiro. Terá que voltar à tribuna do Senado para se explicar novamente em razão das denúncias de suposta sociedade secreta com o contraventor goiano Carlinhos Cachoeira. Os senadores Ana Amélia (foto), do PP-RS, Jorge Viana (PT-AC) e Pedro Taques (PDT-MT) exigiram ontem da tribuna novas explicações.


Reposicionado

O ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias (foto) já admite a participação dos tucanos na coligação do PT com o PSB em torno da candidatura à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, ao contrário do vice-prefeito petista Roberto Carvalho. Avalia que a aliança com o PSB é nacional e não pode ser rompida por uma questão paroquial, embora também preferisse os tucanos de fora da coligação.

Parceria//

A presidente Dilma Rousseff aposta no Brics como aliado estratégico na globalização — a China é nosso maior parceiro comercial —, mas começa a dar preferência à parceria com a Índia, que pode ser menos assimétrica. Na sexta-feira, será recebida pela presidente Pratibha Patil e assinará importantes acordos bilaterais.

Agressões

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) defendeu ontem, em plenário, a apuração rigorosa sobre agressões por parte de seguranças da Câmara a um grupo de mulheres que se manifestavam na última quarta-feira contra a Medida Provisória nº 557. A parlamentar e a coordenadora da Bancada Feminina, Janete Pietá (PT-SP), protocolaram ofício ao presidente da Câmara, Marco Maia, solicitando que sejam apuradas as responsabilidades.

Na defesa

O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que acabou de assumir a defesa do contraventor Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo sob acusação de liderar organização que explorava caça-níqueis em Goiás, já não tem o mesmo trânsito no Palácio do Planalto. No governo Lula, todos os indicados para os tribunais superiores passavam pelo crivo do criminalista.

Bloco

PTB e PSC anunciaram a criação de um bloco para disputar com o PDT a indicação para o Ministério do Trabalho. A presidente Dilma não quer nem saber desse assunto. O bloco tem 38 deputados.


Rio+20/ A Frente Parlamentar Ambientalista promove hoje na Câmara um debate preparatório para a Conferência Rio+20, marcada para junho, no Rio de Janeiro, com a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Além da ministra, serão palestrantes do evento o presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, deputado Sarney Filho (PV-MA), que coordena a frente, e o chefe da Divisão de Meio Ambiente do Itamaraty, Paulino Franco.

Orçamento/ Será instalada hoje a Comissão Mista de Orçamento, formada por 31 deputados e 11 senadores. O presidente será o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). O relator da Lei Orçamentária de 2013 (LOA) será o senador Romero Jucá (PMDB-RR), ex-líder do governo no Senado.

domingo, 25 de março de 2012

O eixo perdido

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 25/03/2012

"Eu não vim pra explicar. Vim para confundir." No momento, a frase do falecido Abelardo Barbosa, o Chacrinha, se aplica como uma luva à presidente Dilma Rousseff no quesito articuladora política. Ninguém tem dúvida no Congresso de que o comando da relação do Palácio do Planalto com sua base de apoio está firmemente enfeixado em suas mãos, mas seus verdadeiros objetivos ainda são uma incógnita para a cúpula dos dois principais partidos que dão sustentação ao governo, o PT e o PMDB.

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No vértice do chamado presidencialismo de coalizão, Dilma resolveu confrontar o modus operandi da relação do Palácio do Planalto com a base parlamentar que herdou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na verdade, o velho toma lá dá cá permitiu a formação da sua coalizão de governo. Sem ele, Dilma teria muitas dificuldades para vencer as eleições de 2010. Agora, a presidente da República revela ojeriza ao fisiologismo da própria base. E resolve mudar as regras do jogo às vésperas das eleições municipais.

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Dilma deslocou do centro da articulação política do Palácio do Planalto o grupo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do líder do PMDB, Renan Calheiros (PMDB-AL), aliados de primeira hora do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado. Também escanteou o ex-líder do governo Cândido Vaccarezza (PT-SP) e o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), esteios da aliança do PT com o PMDB na Câmara. Esse era o eixo da aliança de centro-esquerda que dá sustentação ao governo. Dilma deu uma guinada à esquerda ao nomear os líderes governistas Eduardo Braga (PMDB-AM), no Senado, e Arlindo Chinaglia (PT-SP), na Câmara.

Luta interna

A substituição de Vaccarezza por Chinaglia representou mais uma forte alteração na correlação de forças internas da legenda. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS); e o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), não fazem parte do velho grupo dirigente que venceu sucessivos congressos do PT até a renúncia por razões de saúde do ex-senador Eduardo Dutra, o último presidente eleito. Liderado por Chinaglia, esse grupo tem posições mais à esquerda.

Mensalão

Vale lembrar que a velha guarda petista foi abatida quando estava no poder, a começar pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, cujo mandato de deputado foi assado pela Câmara. O líder petista guarda o julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com outros caciques petistas, como o influente deputado João Paulo (PT-SP), ex-presidente da Câmara.

Compromisso

Caso se consolide, o bloco PSB-PSD poderia deslocar o PMDB da presidência da Câmara apoiando um candidato petista, mas isso implicaria no rompimento do acordo firmado pelo PT com o grupo do vice-presidente Michel Temer e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves. Compromissos desse tipo costumam ser respeitados no parlamento, embora o Palácio do Planalto possa argumentar que não participou do acordo.

Campeão

O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou relatório sobre irregularidades nas obras dos estádios da Copa do Mundo de 2014. O sobrepreço nas contas do Maracanã já chegou a
R$ 163 milhões

Volta/ O ex-presidente do Incra Rolf Hackbart, que deixou o órgão no início do governo de Dilma, está voltando ao serviço público. Desta vez, ao lado do ministro Aloizio Mercadante, de quem será assessor especial na educação.

Candidatos/ O deputado federal Lelo Coimbra (PMDB-ES) lançou sua pré-candidatura à Prefeitura de Vitória. O evento não contou com a presença do ex-governador Paulo Hartung, principal liderança do partido, que tem mais dois aliados na disputa, o ex-prefeito Luiz Paulo (PSDB) e o deputado estadual Luciano Rezende (PPS).

Comissão/ O Senado Federal e a Câmara dos Deputados se preparam para instalar amanhã a primeira comissão mista para análise de medidas provisórias, acatando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Será examinada a constitucionalidade da MP nº 562/12, que destina recursos do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para instituições comunitárias que atuam na educação rural.

sábado, 24 de março de 2012

Paz dos mais fortes

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 24/03/2012

O Palácio do Planalto quer urgência na apreciação do projeto de regulamentação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para produtos importados, que está em tramitação no Senado. A votação da matéria pode ocorrer nas próximas semanas. Os estados que mais se beneficiam de isenções fiscais para importação são Espírito Santo e Santa Catarina. Ambos estão isolados.

O governo propôs uma alíquota única de 4% para o ICMS sobre produtos importados, o que seria uma forma de coibir a guerra fiscal entre os estados. De acordo com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, o que ainda dificulta a aprovação são divergências quanto à implantação da nova alíquota, que teria um período de transição.

A Fazenda chegou à conclusão de que os incentivos existentes no Espírito Santo e em Santa Catarina são a porta de entrada dos produtos chineses que estão colocando em risco a indústria nacional. Fechar essa porta seria fundamental para a eficácia das demais medidas adotadas para proteger a indústria brasileira, como o controle do câmbio via intervenção do Banco Central no mercado de compra e venda de dólares. Os estados mais industrializados apoiam a unificação.

Por menos//

A entrevista da presidente Dilma Rousseff à revista Veja que circula hoje joga um balde de água fria na crise com a base aliada. O foco da conversa foi a situação da economia. Sobre as derrotas no Congresso, Dilma disse que só vai se preocupar se começar a perder todas as votações.

Olho no olho

A presidente Dilma Rousseff comemorava ontem a repercussão do encontro de quinta-feira com os grandes empresários do país, que pela primeira vez foram ao Palácio do Planalto para transmitir à Presidência da República suas opiniões sobre a situação da economia. Dilma não quer intermediários na relação com esses pesos-pesados.

Alambrado

O ex-ministro Ciro Gomes  anda costeando o alambrado, como diria o falecido ex-governador Leonel Brizola. Além das críticas de sempre ao fisiologismo do PMDB, questiona a postura acomodada do seu partido, o PSB, em relação ao governo Dilma, cujo ministério considera fraco. O político cearense desce o malho na execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principalmente das obras da Ferrovia Transnordestina e da transposição do Rio São Francisco. Porém, elogia o desempenho do governo no plano econômico.

Sangue

O candidato petista a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, esteve ontem com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Hospital Sírio-Libanês. O encontro funcionou como uma espécie de transfusão de sangue para o ex-ministro da Educação, que precisa de uma força do líder petista para subir uns pontinhos nas pesquisas de opinião.

Longe da crise

O vice-presidente Michel Temer viajou para bem longe da crise. Desde ontem, está em Seul, na Coreia do Sul, para representar o Brasil na reunião de cúpula convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para discutir a questão nuclear — em particular a proposta de acordo feita pela Coreia do Norte para submeter seu programa nuclear ao controle internacional. Temer só assumirá a Presidência interinamente na quinta-feira, depois que a crise no Congresso viajar para os estados. A presidente Dilma Rousseff estará na Índia.

Recuperação/ O novo líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ainda se ressente do acidente que sofreu em 2006. Ontem, entre uma reunião e outra, teve que arrumar tempo para as sessões diárias de fisioterapia que faz na Câmara.

Canavial/ O cultivo de cana-de-açúcar em áreas alteradas e nos biomas cerrado e campos gerais, situados na Amazônia Legal, foi aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) na quinta-feira. Pelo texto, proposto pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o plantio deve seguir as normas do Código Florestal Brasileiro, ainda em discussão no Congresso.

Sem toalha

O deputado Ricardo Tripoli e o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, prometem dar um calor no ex-governador José Serra nas prévias do PSDB, marcadas para amanhã. Os dois tucanos vão passar o dia de hoje cabalando votos na periferia da capital, apesar do já ganhou a favor de Serra, que espera ter pelo menos 70% dos votos. A conferir.